Futebol e estudos nos EUA: entenda como funcionam as ligas americanas

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Estádios com média de 22 mil pessoas por partida? Investimentos, patrocínios e faturamentos que ultrapassam alguns bilhões? Não estamos falando de campeonatos europeus, e sim da constelação de ligas e estrelas do futebol nos EUA, um dos maiores fenômenos esportivos do século XXI.

E se você pensa que o futebol, ou melhor dizendo, o soccer, vive somente do prestígio de jogadores consagrados que atuaram ou ainda atuam por lá, como David Beckham, Kaká, Raul, Henry, Lampard e cia, não se engane. O soccer nos EUA é um ecossistema esportivo complexo que exibe seu sucesso também nas ligas universitárias.

Mas antes de explicar o funcionamento destas ligas que atraem cada vez mais jovens brasileiros, precisamos entender porque o velho esporte bretão tem dado tanto o que falar no país dominado pelo basquete, beisebol e claro, o futebol americano.

 

 

 

 

 

 

Futebol? Não. Prazer, Soccer.

O futebol, ou melhor dizendo, o soccer, se tornou um fenômeno esportivo e cultural nos Estados Unidos. Atualmente, o esporte bretão aparece na quarta posição dentre os esportes preferidos pelos americanos, quase 10% da população que somam mais de 30 milhões de pessoas.

Este crescimento se deve à diversos fatores. A aposta na contratação de grandes craques da história recente do futebol ampliou a visibilidade das partidas a uma escala mundial e atraiu o potencial público interessado no esporte. No entanto, a tentativa de popularizar a modalidade não é novidade. Na década de 1970, Franz Beckenbauer, Yohan Cruyff e o atleta do século, Pelé, disputaram brevemente a antiga North American Soccer League (NASL) pelo New York Cosmos.

Créditos: JOEL MABANGLO

A NASL encerrou suas atividades em 1984 – e retornou em 2010. Diante de um estágio de desenvolvimento do futebol muito distante do globalizado do século XXI, o mercado americano não sustentou o crescimento desta primeira iniciativa. Em 1994, os EUA retomam uma aproximação com o mercado e o público interessado em futebol ao sediar a Copa do Mundo da FIFA, edição que elevou a seleção brasileira ao tetracampeonato mundial. 

Ainda nos anos 1990, o soccer era praticado por segmentos específicos da sociedade americana, em especial, pelos imigrantes de origem latina ou por jovens garotas nas categorias escolares, o que permitiu à seleção feminina americana se manter constantemente entre as melhores do mundo.

É certo dizer que o aumento nos investimentos, inclusive na contratação dos grandes astros, associado à multiplicação de times em todas as categorias permitiu uma real mudança de patamar do esporte no país. Contudo, nada disso se sustentaria sem uma grande estrutura organizada e altamente profissional nos mais variados setores ligados ao futebol.

Ligas Profissionais

Pensar em futebol profissional nos EUA é falar na Major League Soccer (MLS). Um case de sucesso, diriam os gestores e profissionais do marketing. Embora ainda haja acesso e rebaixamento nas ligas americanas, a MLS é considerada a primeira divisão do futebol nacional, contanto com os clubes mais ricos e recheado de estrelas internacionais.

No entanto, além da MLS, outras duas ligas profissionais merecem destaque: a North American Soccer League (NASL) e a United Soccer Leagues Professional Division (USL Pro). A NASL é uma das ligas mais antigas, fundada em 1968, permaneceu vinte e cinco anos inativa (1985-2010), porém, foi beneficiada pela expansão global do esporte. Acompanhando esse boom do soccer, nascia em 2011 a USL, com prestígio similar à NASL, sendo ambas uma espécie de segundo escalão do futebol profissional do país.

Tanto a NASL quanto a USL tornaram-se fundamentais para a popularização do soccer por absorver o crescente número de jovens americanos interessados no esporte e também os atletas estrangeiros, seduzidos em jogar no país devido à ótima estrutura oferecida aos jogadores.

No entanto, sem categorias de base em seus respectivos clubes, o futebol profissional absorve centenas de jovens americanos que atuam nas ligas universitárias por meio dos drafts. O Draft é um processo de recrutamento de atletas universitários seguindo critérios específicos de acordo com a modalidade e a “divisão”. Em uma data específica, geralmente no meio ou entre as temporadas, é formado um combine, uma espécie de vários jogos-treino com os atletas que mais de destacaram nas ligas universitárias.

Embora os clubes não possam criar as “pratas da casa”, como diz o jargão do futebol brasileiro, ao observar os Drafts, os clubes poderão a cada rodada dos testes escolher um ou dois atletas para ingressar no clube ou ser negociado por ele. Uma vantagem interessante deste modelo é que geralmente a ordem de escolha se dá para o time pior colocado na temporada anterior, evitando o chamado “leilão” de jogadores e equilibrando os elencos das equipes.

O mais cobiçado deles – e não poderia ser diferente – é o MLS SuperDraft que dá a oportunidade a atletas universitários se profissionalizar. Em geral, o SuperDraft permite que cada clube possa escolher um atleta por rodada. Contudo, mesmo que um atleta não seja escolhido para o “Draft” ou se ele tenha tido bom desempenho no “combine” e acabou não sendo selecionado, ele poderá ser contratado posteriormente por meio da Liga.

Ligas semi-profissionais.

Muito diferente do futebol amador no Brasil, as Ligas Semi-Profissionais são mais uma válvula de escape para a crescente demanda de atletas de futebol. Dentre as diversas Ligas que se encaixam nessa categoria, vale destaque a Premier Developmental League (PDL), a mais importante nesse formato, e outras duas: National Premier Soccer League (NPSL), com formato e função mais semelhante à PDL, e por fim, a United States Adult Soccer League (USASL) que reúne crianças, adolescentes e adultos em mais de 500 times por todo o país.

Mas afinal, qual a importância destas Ligas Semi-Profissionais?

O nosso próximo texto aqui no blog da HTS Brazil irá abordar especificamente sobre esse tema. Mas já vale apontar duas coisas importantes sobre o assunto. Por um lado, as Ligas Semi-Profissionais geralmente ocorrem durante as férias escolares, permitindo que os atletas universitários possam continuar atuando e mantendo a forma física e técnica para a temporada seguinte. Além disso, e o mais importante, o bom desempenho nestas ligas, em especial na PDL, conta positivamente para o atleta que aspira participar de um próximo Draft, afinal, diversos técnicos, olheiros e até mesmo a imprensa esportiva acompanham com muito atenção as partidas.

Ligas Universitárias

O esporte universitário nos EUA é uma realidade distante do que conhecemos no Brasil. Como já explicamos anteriormente, as escolas e universidades são a grande usina de atletas para o esporte no país, seja para o basquete (NBA), o hóquei (NHL), beisebol (MLB), futebol americano (NFL), e agora também para o soccer (MLS).

Como é sabido, a estrutura dos times americanos também é diferente dos brasileiros. As equipes americanas não fazem parte de clubes, como é comum no Brasil. Tal como franquias, os times nos EUA são administrados rigorosamente como empresas, e por isso, estão vinculados à uma série de grandes marcas. Em certa medida, o modelo muitas vezes é mais parecido com uma Fórmula 1 do que com a gestão padrão do futebol no Brasil.

Diante desse cenário, o que mantém esse organismo futebolístico vivo nos EUA é o manancial de atletas que é produzido nas escolas e universidades. E justamente quando olhamos para essa base de formação de atletas, passamos a entender como esse ecossistema tem se tornado maior e mais forte.

A National Collegiate Athletic Association (NCAA) é a entidade nacional que organiza o esporte universitário em todas as modalidades. Desde a sua criação (1906), o órgão tornou-se um importante instrumento de ascensão social, visto que, muitos jovens que não condições financeiras de bancar a faculdade encontram no esporte um caminho para os estudos, uma carreira de trabalho e até mesmo se projetar nos holofotes do esporte profissional.

Pra se ter uma ideia, a NCAA coordena quase meio milhão de atletas vinculados à mais de 1.200 instituições em todo o país. Achou pouco? Então saiba que ainda existem outras ligas escolares e universitárias que fazem esse bolo crescer ainda mais. Dentre as mais conhecidas, se destacam: National Christian College Athletic Association (NCCAA), National Association of Intercollegiate Athletics (NAIA), United States Collegiate Athletic Association (USCAA), National Junior College Athletic Association (NJCAA), National Federation of State High School Associations (NFHS), Northwest Athletic Association of Community Colleges (NWAACC) e muitas outras.

A realidade do esporte universitário é de fato uma característica singular nos EUA. Como a maior parte das competições são organizadas por conferências, há uma regionalização das disputas que favorecem o surgimento de rivalidades entre estados, cidades e as universidades.

Essas disputas funcionam como combustível que atrai torcedores e fãs de cada equipe. Sim, você já deve ter visto como as arquibancadas dos jogos universitários quase sempre estão lotadas no basquete ou no futebol americano. Saiba agora, então, que o soccer universitário não está tão distante disso. Em uma partida na primeira divisão da NCAA, a principal divisão universitária do país, é praticamente impossível um público menor que 10 mil pessoas.

Os vínculos que os mais velhos, e em especial, os mais jovens fãs do soccer criam com seus respectivos times é uma identificação construída afetivamente pela cidade e, em muitos casos, com a própria universidade. Observar o crescimento do soccer universitário, portanto, é uma janela para entender como a paixão pelo esporte é intimamente ligada à comunidade que habita as redondezas ou por indivíduos que eram, são ou pretendem ser alunos ou funcionários da universidade.

A HTS Brazil que nasceu junto ao boom do soccer conhece como ninguém no Brasil o funcionamento deste grande ecossistema esportivo, capaz de mudar a vida de muitos jovens com talento esportivo e poucas oportunidades para os estudos.

Estudar e jogar futebol nos Estados Unidos não é um sonho. É um projeto. E a HTS Brazil é o seu melhor orientador para chegar lá.

Dê o pontapé inicial para concretizar esse plano, agende seu teste com a gente: http://htsbrazil.com.br/agende-um-teste

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